Adorando a Deus no Deserto
                 Reflexões sobre nossa jornada

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3 ~ Um intervalo, para pensar sobre o Corpo de Cristo

Logo fica patente, lendo a respeito de nossa vida com a Karis, que o Corpo de Cristo tem sido importante para nossa família, dando-nos cuidados e diretrizes, tanto práticos como espirituais, através de sua expressão local em cada lugar que temos morado. Não sei como teríamos sobrevivido sem este apoio.

Me refiro ao que o apóstolo Paulo chama o Corpo de Cristo, a Igreja: “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Co 12.27); “Deus . . . designou [Cristo] cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo” (Ef 1.22-23); “Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo” (Ef 5.29-30). Pelo que eu entendo, cada um que submete-se a Cristo como Salvador e Senhor, torna-se parte de seu Corpo.

Creio que apenas raramente Deus chama alguém para sofrer sozinho. Nem Jesus quis ficar sozinho no Getsêmani. A Palavra de Deus enfatiza que devemos nos servir e encorajar mutuamente, oferecendo o consolo que nós mesmos recebemos de Deus: “Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (1 Co 12.26).

Acredito que o Corpo de Cristo pode e deve continuar aprendendo a cuidar melhor das pessoas que passam por momentos difíceis. Digo isso não a respeito de nossa família, pois a vida de Corpo que nós temos experimentado tem sido espetacular. Quero citar novamente as palavras da Karis:

“Deus tem provido para nós a vida toda. Com freqüência vemos o deserto no horizonte mas ele sempre desabrocha conforme entramos nele. Estas flores muitas vezes são as pessoas que Deus coloca em nossas vidas, para encorajar, desafiar e fortalecer-nos. Obrigada por fazer do nosso deserto um jardim. Somos gratos pela generosidade e a graça estendida por tantas pessoas.”

Através dos anos, porém, tenho conversado com várias pessoas que foram magoadas pelo Corpo na mesma medida que sofreram pelos traumas da vida. Não encontraram pessoas que “alegram-se com os que se alegram; choram com os que choram”. As circunstâncias são tão variadas como as pessoas, mas boa parte saíram de situações abusivas em casa e se sentem igualmente rejeitadas pela família da igreja. Talvez elas não souberam comunicar-se adequadamente para que a igreja entendesse as suas necessidades. Às vezes, pelo que se vê, a igreja não estava organizada de maneira simples o suficiente para responder com eficiência, pois esperava que os pastores cuidassem desta responsabilidade e não havia tempo e energia na agenda do pastor para todos.

Segundo o que eu leio nas Escrituras, porém, o propósito é que os membros do Corpo cuidem um do outro. Uma boa forma de fazer isso na prática é através de grupos pequenos em que as pessoas possam realmente se conhecerem, interceder uns pelos outros e se mobilizar quando alguém precisa de ajuda prática.

Se você não participa de um grupo pequeno, quero encorajá-lo a começar! Se não existem grupos pequenos na sua igreja, por quê não criar um grupo você mesmo? Convide alguns amigos para se reunirem regularmente para conhecer-se melhor, estudar a Palavra, interceder e cuidar um do outro. Use a sua própria casa, se for o caso. Envolve-se com outras pessoas e permita que elas contribuam para sua vida também. Deixe-se experimentar o amor de Deus através dos braços e as pernas do Corpo. Pode ser transformador!.


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